As pessoas educadas sabem que, enquanto potência global, Portugal não resistiu mais do que trinta ou quarenta anos, no século XVI (época que coincidiu com a única fase de expansão económica do país). Na verdade, a primeira bancarrota de que há memória em Portugal data de 1560 – ou seja, quatro anos depois de Luís Vaz de Camões terminar Os Lusíadas. A partir de então, os holandeses entretiveram-se com os espanhóis, que se entretiveram com os ingleses, que se entretiveram com os franceses, que se entretiveram com os alemães, que se entretiveram com toda a gente, que se entreteve com Hollywood. Entretanto, os portugueses somaram crises a outras crises e foram à falência uma boa meia dúzia de vezes entre meados do século XIX e XX, antes de encontrarem um Salazar capaz de pôr os cabelos em pé à Nato, aos revolucionários das colónias e ao PCP em geral e Álvaro Cunhal em particular. Depois, fizemos uma revolução pacífica – para não mudar quase nada a não ser as caras dos que mandavam, e por isso pacífica –, aderimos à CEE e à moeda única, descobrimos o Big Mac, perdemos a final do europeu para a Grécia e, hoje, corremos o risco de perder o Euro por causa dos gregos. Em meio de tudo isto, valha a verdade que reconstruímos a Baixa. Por outro lado, edificámos o Colombo. Bardamerda para este país.
