terça-feira, 4 de maio de 2010

curso intensivo de História de Portugal

As pessoas educadas sabem que, enquanto potência global, Portugal não resistiu mais do que trinta ou quarenta anos, no século XVI (época que coincidiu com a única fase de expansão económica do país). Na verdade, a primeira bancarrota de que há memória em Portugal data de 1560 – ou seja, quatro anos depois de Luís Vaz de Camões terminar Os Lusíadas. A partir de então, os holandeses entretiveram-se com os espanhóis, que se entretiveram com os ingleses, que se entretiveram com os franceses, que se entretiveram com os alemães, que se entretiveram com toda a gente, que se entreteve com Hollywood. Entretanto, os portugueses somaram crises a outras crises e foram à falência uma boa meia dúzia de vezes entre meados do século XIX e XX, antes de encontrarem um Salazar capaz de pôr os cabelos em pé à Nato, aos revolucionários das colónias e ao PCP em geral e Álvaro Cunhal em particular. Depois, fizemos uma revolução pacífica – para não mudar quase nada a não ser as caras dos que mandavam, e por isso pacífica –, aderimos à CEE e à moeda única, descobrimos o Big Mac, perdemos a final do europeu para a Grécia e, hoje, corremos o risco de perder o Euro por causa dos gregos. Em meio de tudo isto, valha a verdade que reconstruímos a Baixa. Por outro lado, edificámos o Colombo. Bardamerda para este país.

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