terça-feira, 31 de agosto de 2010

a evolução da espécie

David Myatt é inglês e tem um blog, onde publica artigos de opinião, cartas abertas e textos densos, repletos de referências, estrangeirismos e palavreado anacrónico. Chegou até mim através dos alertas do Google. (É simples, introduzimos os nomes dos autores, clube de futebol ou banda rock de que gostamos e o Google avisa-nos diariamente do que é publicado em sites ou blogs sobre o tema.) Eu não conheceria David Myatt se não fosse Martin Amis. O que liga os dois? Myatt publicou uma carta aberta ao escritor, que o terá citado num texto e numas palestras. Até há alguns anos, David Myatt era membro da extrema-direita inglesa. Neo-nazi. Entretanto, converteu-se ao Islão. Escreve Amerika (sim, com “k”), usa termos como kaffir (infiel) e acusa Amis de desejar um Islão submisso a ideias ocidentais. Assim, de repente, estou já a imaginar as loucuras de que Amis seria capaz: direitos humanos, liberdade de expressão, liberdade de imprensa, democracia. Ou seja, Amis quer um Islão feito de muçulmanos que abandonaram a “Jihad Fee Sabilillah and Al-wala wal-bara”. Atente-se nisto: David Myatt queria discutir política – isto é política – e meteu-se com um dos melhores escritores da Língua Inglesa da actualidade. A diferença entre os dois: Myatt continua a ser intrinsecamente fascista – substituiu o nacional-socialismo pelo Islão, Hitler por Maomé e o Mein Kampf pelo Corão. O erro de Amis: dar-lhe tempo de antena. A minha avaliação de tudo isto: eu nunca leria um romance escrito por David Myatt.