Dizem-me que o Benfica perdeu. “Dizem-me”, visto que eu já fiz uma promessa a mim mesmo de não assistir a mais jogos do Glorioso esta época. Por duas razões e meia: 1) o Benfica não está a jogar nada, 2) o FC Porto está a jogar muito, 2,5) o Sporting não sei quê. Evidentemente, o primeiro facto, de o Benfica não estar a jogar nada, nada tem que ver com ganhar campeonatos. Há muitos anos que o FC Porto, grande parte das vezes sem ser melhor do que os seus adversários, ganha campeonatos sem precisar de jogar o que quer que seja. Quanto à segunda razão, as suas conclusões derivam da primeira: o FC Porto apenas joga muito porque o Benfica nada joga. A segunda e meia razão nada tem que ver com tudo isto, tratando-se de uma mera constatação de facto: “o Sporting não sei quê”. Haveria, caso o Benfica quisesse ser bi-campeão, que jogar à bola. Mas não, o Benfica não quer jogar à bola, quer jogar futebol, uma assunção de um desejo de copiar o que se faz a Norte. No Centro e Sul, as pessoas sempre jogaram à bola. É no uso desta expressão que vemos a diferença entre quem gosta de futebol, e cresceu a analisar as tácticas de Cruyff, Trappatoni e companhia, e quem se fez homem inspirando-se mais nas tácticas da Comorra do que no glorioso mistério da numerologia futebolísitca: 4+4+2=11. Por todas estas duas e meia razões e outras a ser debatidas nos locais próprios (que, no caso da bola, tanto podem ser tribunais como restaurantes da Bairrada), não vejo mais jogos do Benfica esta época. Posto isto, prometo que se o Pinto da Costa ganhar a Liga Europa passarei a ser portista, pelo menos tão portista quanto o Jorge Jesus é benfiquista.